Cabeço, Brejo Grande / SE  escrito em segunda 28 abril 2008 01:44

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Tudo bem, nem toda beleza natural pode ser colocada num ranking. Mas a foz do Rio São Francisco dá uma pequena noção do tamanho da vida. Parece lero de lombrado e exagero puro. Antes fosse. O Cabeço é um povoado parcialmente engolido pelas águas do Atlântico e guarda um dos melhores locais para acampar em Sergipe.

Antes da última hidrelétrica instalada no Velho Chico, existia uma ilha ao final da bacia hidrográfica do rio povoada por famílias de pescadores. Depois da Chesf ter inaugurado a estação em Canindé do São Francisco, Xingó, o refluxo das águas desequilibrou o braço-de-ferro que existia entre o rio e o mar. A maré avançou sem parar, engolindo as casas e a igreja do Bom Jesus. Hoje resta apenas uma faixa de areia e parte do farol.

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Foz do Rio São Francisco  escrito em segunda 28 abril 2008 19:58

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Quando a vida real vira cinema

Quem está acostumado aos grandes centros urbanos e chega pela primeira vez ao cenário do filme Deus é Brasileiro tem um choque cultural. A visão às margens do rio São Francisco, ao pé da escada onde o personagem de Antonio Fagundes desembarca, é como a registrada no filme: mulheres lavando roupa e crianças tomando banho de rio em meio à espuma das lavadeiras. Mas, calma. Não saia correndo. Siga pela ruela, direto à Secretaria de Turismo, onde você receberá todas as informações sobre os passeios de barco à foz, um santuário a cerca de 20 minutos do município.

A foz do rio, que separa os estados de Sergipe e Alagoas, é uma Área de Proteção Ambiental (APA), criada em 1983 para preservação das tartarugas marinhas, aves e vegetação, além de importantíssima para a fixação das dunas. São 188 km2, que englobam inclusive o município de Piaçabuçu, com 16 mil habitantes, e a vila de pescadores do Pontal do Peba, onde vivem outras três mil. A região também já foi o maior plantel de camarão do país, mas a pesca predatóriae a inclusão de peixes amazônicos no São Francisco fizeram a região perder o posto de maior produtor de camarão do país.

Ao chegar à foz, segure um pouco aquele banho demorado no paraíso. Atravesse um braço d'água e suba a duna. A vista é maravilhosa. Se quiser, pode voltar rolando duna abaixo até a água. Ali, no meio da tarde, quando a maré sobe, surge uma piscina de hidromassagem natural ao pé das dunas na margem alagoana. O tempo máximo permitido para permanência na foz é de uma hora. O Ibama se viu obrigado a limitar a duração dos passeios ali porque é a área onde as tartarugas marinhas se alimentam antes e depois da desova na margem sergipana. ''As pessoas vinham para cá com cadeiras de plástico, barraquinhas, e, quando vimos, já estava virando bar'', comenta Gustavo, funcionário do Instituto.

O passeio à foz é o ponto alto, mas não a única opção. Aos sábados, em Piaçabuçu, há saraus e apresentações de grupos locais. O Caçuá, um grupo de música e dança local ficou conhecido no país inteiro também graças ao filme de Cacá Diegues. Outro ponto alto é a banda de pífano do mestre Cícero.

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Foz do Rio São Francisco  escrito em segunda 28 abril 2008 22:36

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Quando a vida real vira cinema

Quilombos - Pensa que terminou? Que nada! Se você é do tipo aventureiro e já sonhou em conhecer comunidades remanescentes de quilombos, uma pedida é um passeio à comunidade de Pixaim - 27 casas de palha de coqueiro e uma população que vive, em sua maioria, na linha da miséria, no meio das dunas. Os historiadores acreditam que Pixaim era o local onde os escravos fugitivos viviam. Do alto, há uma vista privilegiada da foz e do rio. Se você estiver acompanhado de crianças pequenas, desista. São 30 minutos de caminhada e uma subida de duna para arrasar até quem tem um bom preparo físico, por causa do calor. Lá vive Aladim Calixto, o líder comunitário de 68 anos, 33 netos e um humor de fazer inveja. Aladim é um dos poucos que tem luz elétrica graças a uma das fontes de energia solar que ainda funciona. Se você é um candango de fé, ávido por praias quase desertas, deixe Aladim. As pousadas do Pontal do Peba são o seu destino. Os passeios formam um atrativo à parte, depois do show de dunas móveis ao sul do povoado e dos coqueirais.

O bugre pára próximo à subida das dunas. São 15 minutos de caminhada até o ponto mais alto, a ''duna do cajueiro'', uma das poucas que está fixa, graças à vegetação. Depois do show de luzes do amanhecer, um café da manhã, incluído no preço, numa fazenda de coqueiros da região. E se você quiser mais emoções, por R$ 20 é possível ficar seis minutos a 50 metros do solo - o parasail, puxado por um bugre.

À noite, depois de tantos passeios, nada como uma canga ou uma toalha estendida na areia para ver as estrelas. Se preferir, use uma cadeira.

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Foz do Rio São Francisco  escrito em segunda 28 abril 2008 22:41

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Quando a vida real vira cinema

Memórias - Prédios do século 19, igrejas centenárias e vestígios da visita de Dom Pedro II fazem de penedo um museu vivo da história do brasil. Um dia é suficiente para conhecer tudo, mas o ideal é demorar até se sentir personagem de um filme de época

Alagoas não é só praia e plantação de cana. Na cidade de Penedo, você poderá conhecer um pouquinho mais da história do Brasil imperial. O centro antigo, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico (Iphan) reúne igrejas e casarios do século 18. Os holandeses não tiveram tempo suficiente para deixar ali grandes obras à Maurício de Nassau, como ocorreu em Pernambuco. Em outubro de 1645, eles se renderam, destruíram o forte e queimaram praticamente todos os documentos. Portanto, em tudo o que você verá pelas ruelas do centro histórico predomina a herança portuguesa. Até no rio, destacam-se as lembranças portuguesas, como as velas quadradas das pequenas embarcações, as borboletas. Levam essa nome por causa do efeito das velas.

A Igreja Nossa Senhora dos Anjos já vale a visita. É a construção religiosa mais antiga da cidade. Em 1660, quando começou a construção, era um convento franciscano. Não deixe de olhar atentamente as imagens trazidas de Portugal e afrescos no teto, feitos em 1784 pelo artista italiano Libório Lazdro.

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Foz do Rio São Francisco  escrito em segunda 28 abril 2008 22:45

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Quando a vida real vira cinema

A próxima parada será a fundação Casa de Penedo. Lá você verá fotos do início do século 20, maquetes com odesenho original da cidade e os jornais da época. Foi fundada em 1992 e a entrada custa R$ 1.

Quando bater aquela fome, desça pelo paço imperial, onde uma das paradas da paixão de Cristo do tempo do império ainda resiste como uma pequena capela. Vá à igreja Nossa Senhora das Correntes e deixe seu pensamento voar ao tempo dos escravos. Repare no corte da madeira atrás do altar dedicado a Nossa Senhora das Dores, à esquerda de quem entra na igreja. Há um buraco na parede, construído para esconder escravos. Falta vistar ainda a casa onde se hospedou o imperador Pedro II - uma das primeiras construções da cidade.

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